domingo, 24 de janeiro de 2010

Me enxerga Cecília

Enxerga Cecília, sua falta de visão me fez perder o gosto pelo seu nome;
Mas não some;
Não some Cecília;
Que eu ainda vejo o encanto que faz o som que te nomeia;
Veja Cecília, veja;
Que se até Chico lhe escreveu "Nem as sutis melodias, merecem Cecília teu nome espalhar por ai"...
Que o charme do teu nome;
Brilha mais do que em Maria, Vitória ou Sofia...
Que de "cega" se enxerga muitas coisas, refletes sobre elas;
Que de "cega" se guia...
Orgulha-te, glorifica-te por chamar-se
do nome mais bonito
Cecília.

(Cecília: Esse nome se associa à falta de visão e indica uma pessoa que só toma decisões depois de muito refletir, pois sempre procura ver e analisar cuidadosamente todos os lados da questão. Do etrusco "cega, ceguinha".)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Marília

Ela dançava tão cheia de vez

Rodava e tomava toda beleza da noite

A lua tão límpida confundia sua luz com a de Marília

E depois saia depressa

E o salão parecia vazio

E nem mais as luzes da noite brilhavam agora

E nem mais o sol viria feliz

E nem eu dormiria sem ela

Sem o rodar de Marília

Sem seu olhar

Sem o brilho desse olhar

E volta Cecília

E volta Maria

E voltam mulheres da minha vida

Mas nunca Marília.

Sambinha

Quando eu paro a olhar

Penso que este não é meu lugar

E sinto meu peito apertar

Uma vontade me vem de voar


Quando me ponho a sorrir

Assim sem saber bem por que

Sei que eles pensam de mim

Esse estranho ta rindo de que?


Esse não é meu lugar

Esse não é meu lugar

Aqui uma lágrima vem

Uma lágrima vai

Aqui não tem céu pra ninguém

Aqui o amor é que sai


Mas quando eu nasci

Logo descobri meu fascínio

Não era ficar por aqui

Nem atar meus pulsos meninos


Amanhã vou pegar uma nave

Sair de fininho pro nada

Quem sabe faz dia de sol

Enquanto estiver na estrada..

domingo, 15 de novembro de 2009

Uma coisa só minha

Um dia desses me coloquei dentro de uma saia preta de bolinhas brancas, era nada nova e não fora minha assim de primeira. Minha mãe na sua solteirisse havia se enamorado dela, uma coisa completamente perdoável já que fazia parte da moda da época, se apossou da desejada peça.
Com certeza era quase histórica, nem pelo tempo, mas pelas coisas que ela viveu junto das pernas, dando forma às coxas, com um ar romântico no seu recorte. E eu a adorei desde o início, assim que a vi pendurada num cabide. Mas ainda não tinha aquelas pernas, aquele corpo, aquela altura para usá-la, eu era uma ainda criança.
Mas o meu desejo de vesti-la era uma coisa forte e quando via minha mãe se postando dentro dela ficava fascinada, meu pai a elogiava cem vezes, ele também devia ter um grande afeto pela saia.
Mas quando a minha meninice me dava capacidade para me deliciar com sua seda, a pedia sempre emprestada. Ninguém na idade em que eu estava achava aquilo encantador, era uma coisa só minha.
E desfrutando agora dos meus 20 anos, minha mãe chamou-me no quarto e me deu um paninho preto de bolinhas brancas embrulhadinho e disse que era toda minha, era ela, a agora minha saia, uma coisa só minha mesmo.
Talvez os homens da minha idade não a admirassem tanto e tão pouco a elogiariam, mas quando meu pai me vê vestida com ela, me faz cem elogios.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vamos brincar, amor?

Vamos brincar amor? Jogar peteca? Fazer molecagens?...Vamos mudar o mundo amor?Depois nos mudamos pra La, que tal?...Vamos amor... Viver a vida... Sair de fininho, sem pressa de amar...

Vamos amor, vamos amor... Fingir que hoje é domingo?Vamos sofrer as dores da alma? Pagar os pecados e as promessas?Receber os milagres?...O mundo nos espera... A chance é agora... O dia é este... Não deixe passar amor...

Vamos dançar?Rodopiar?...Saltitar pelos campos? Gritar a paz?...Vamos amor? Sentir o vento? Tomar um porre? Afogar-nos na praia? Ver o sol nascer? Vamos criar um novo caminho? O nosso destino?...A vida é bela!

Vamos brincar de viver!

E se eu fechar os olhos?

De olhos fechados podemos enxergar muitas coisas...
...Podemos sentir!

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A Bailarina

Uma música lenta, ouvidos aguçados, sentidos aflorados, os olhos em êxtase, os lábios em carne;
O palco é o espaço, as cortinas em mágica abrem o espetáculo, um cenário em clima, uma platéia em fervor;
Um olhar sombrio, uma fachada, por dentro da tristeza e da loucura que apossam da alma;
Os gestos lentos trazem o brilho da arte encenada com o corpo tão distante da mente que vaga por outros mares;
Inaugura a cena, os pés em ponta, rodopia, inclina-se, contagia...equilibra-se...
Seus olhos verdes de éter encantam como a lua...
Dançarina de olhar dormente se enche de doçura...
E encerra o espetáculo na noite calma e pura.